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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Como você já está semeando transformação




Todos nós conseguimos sentir: a doença mental do capitalismo em seu estágio final está causando enorme depressão, uma epidemia de suicídios, sentimentos crônicos de culpa e vergonha, além de um mal-estar generalizado de impotência.
A falta de oportunidades econômicas é palpável. Os grandes meios de comunicação pertencem aos poderosos interesses financeiros, que os controlam. As eleições, em muitas partes do mundo, foram cooptadas a tal ponto que oferecem uma mera fachada de democracia. E a natureza sistêmica da corrupção política se tornou inegável para a maioria de nós — como escrevi aqui e aqui, e outros escreveram o suficiente para encher toda uma biblioteca.
O mundo está mudando rapidamente e há grande necessidade de pessoas de parte visualizarem como isso está acontecendo. Se pudermos ver nosso lugar no processo, poderemos conscientemente e intencionalmente ajudar para que ele ocorra mais rápido. Gostaria de oferecer uma imagem mental para nos apoiar nisso:
Imagine a superfície de um lago nas montanhas no inverno. O ar está em temperatura abaixo de ser congelante e a água ainda não se solidificou. Milhares de “pequeninas ilhas” de gelo se formam como pequenos pontos de nucleação — cada uma flutuando separadamente, em isolamento uma da outra.
Ao redor dessas pequeninas ilhas está a mistura turbulenta de água e ar, um tanto acima da temperatura de congelamento, um tanto abaixo. É essa turbulência que mantém a água líquida, mesmo o ar estando frio o suficiente para congelar a superfície. Aí, um despertar ocorre… um certo número de blocos de gelo se choca com outros e eles começam a flutuar em harmonia entre si.
E, num flash, as milhares de pequeninas ilhas se juntam entrelaçadas enquanto o ondular de gelo se espalha por todo o lago.





Isso se chama fase de transição. É como o líquido e o gás performam uma linda dança até levar a água fluida à fase de cristal. Acontece energeticamente como um padrão de mistura distribuído por todo o lago. Acontece em-toda-parte-de-uma-só-vez — auto-organizado em muitos lugares e alcançando sincronicidade como um padrão emergente global.
Agora, no lugar de um lago, imagine que estamos vendo o processo físico da mudança social na cultura para um sistema econômico ou político. No lugar de moléculas de água, você precisará pensar em histórias, normas sociais e práticas padrão — como as pessoas pensam, fazem sentido das coisas e atuam.

Em pequeninos blocos da humanidade, há indivíduos vivendo suas vidas. No início do processo, há apenas algumas pessoas isoladas cuja história de vida está quebrada e elas não conseguem fazer sentido algum do mundo ao seu redor simplesmente ouvindo ao senso comum de outros.
Trabalhe duro e você conseguirá um emprego. Continue pagando suas contas e você sairá das dívidas. Estude bastante e você entrará em uma boa escola. Forme-se e você começará sua carreira. Compre uma casa e se estabeleça para iniciar uma família.
Essa tem sido a história de vida padrão na nossa sociedade capitalista pelas últimas três gerações. Funcionou para muita gente 50 anos atrás (embora o sucesso tenha se isolado principalmente no Ocidente branco, masculino e dos demograficamente privilegiados) e pareceu “fazer sentido” por um tempo. Mesmo assim, essa história está completamente quebrada hoje em dia — ela não se encaixa na nossa vida cotidiana e é inútil para guiar como planejamos e atuamos no mundo atual.
Conforme mais de nós sente a desconexão entre como o mundo “deveria ser” e como ele realmente é, nos tornamos pontos de nucleação para novas histórias. Nos tornamos pequeninas ilhas de possibilidades para o novo paradigma.
E conforme experimentamos a turbulência e o caos da incerteza nessa condição, podemos facilmente ficar oprimidos. Piorado pelo fato de que o controle da mídia pela elite é usado para nos dizer que o mundo é feito de indivíduos: a culpa é toda sua se você falhar; e se você tiver dívidas (não importa o quão eticamente questionável tiverem sido as situações que o forçaram a elas), você é moralmente responsável por quitá-las. Dessa forma, nos tornamos escravos do sistema monetário capitalista.
A desarmonia interior que sentimos é o que ocorre quando um sistema social está ruído. Desigualdade maciça nos põe uns contra os outros em um jogo invencível em que aqueles que montam o sistema (criando paraísos fiscais, comprando resultados políticos, retirando impostos dos super-ricos, estrebuchando programas sociais e por aí vai) são os únicos vencedores.
Enquanto isso, guerras continuam sem esmorecer, transferindo riqueza de populações para empresas de defesa e transferindo as dádivas da natureza de povos locais para investidores/donos de corporações multinacionais. Somos ditos para culpar a nós mesmos. E a mídia usa a arte de redirecionamento e distração para esconder os occupy wall streets, as primaveras árabes, os partidos antiausteridade e todas as demais formas de levante de serem vistas — os pontos não foram conectados e, assim, continuamos a nos sentir sós.
Mesmo assim, como as pequeninas ilhas de cristal de gelo naquele lago super-gelado, nos tornamos legião. Há hoje ao menos 200 milhões de nós despertos para os valores sociais e os princípios de organização de um novo mundo. Somente continuamos perdendo porque os “poderes constituídos”, que compartilham da ideologia da escravização pela dívida e da acumulação de riqueza, nos mantêm presos em suas histórias.
Eles são bem organizados e coordenados em suas ações. Nós remanescemos descentralizados e ignorantes de que nossos números superam os deles em muitas ordens de magnitude. A tarefa à nossa frente agora é encontrar ressonância em nossa experiência vivida e tecer a tapeçaria de sentimentos, pensamentos e crenças em ações coordenadas. Estou falando aqui de cura, não de guerra. Venceremos ao chegar lá no fundo de nós mesmos e nos conectar com nossa humanidade comum.
Uma pesquisa breve da história humana faz parecer que somos uma espécie belicista — mas esta é apenas a História de Conquista da era imperial para civilizações nos últimos 6 mil anos. Volte mais no tempo e você verá que nossos ancestrais caçadores-coletores viveram em bandos igualitários por 100 mil anos ou mais. Note os estudos recentes sobreempatia em neurociência, psicologia e sociologia e você verá que somosligados por cooperação e capazes de inspirar níveis de compaixão por nossos companheiros humanos e o restante do mundo natural.
Então, ofereço a você essa imagem mental. Seja um cristal-ilha de esperança. Dê estrutura à história que conta a verdade da sua experiência vivida. Por meio desse processo de cura, vá atrás e envolva seus companheiros homens e mulheres na luta. Encontre a sua voz. Fale a sua verdade. E seja parte das ondas de transformação que virão.
Adiante, companheiros humanos.

Fontes:
Joe Brewer por Joe Brewer: sou um estrategista da mudança trabalhando em nome da humanidade e também um pesquisador da complexidade, cientista cognitivo e evangelista para a área de design de cultura.
"Tento viver, em minha potência, a serviço do mundo mais bonito que nosso coração sabe ser possível. "
❤ denizeguedes.com
Tradução livre de artigo de Joe Brewer*, cujo original está aqui
Denize Guedes https://medium.com/@denizeg/como-voc%C3%AA-j%C3%A1-est%C3%A1-semeando-transforma%C3%A7%C3%A3o-da852589d170#.c0zwxqrp0










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